Este site foi construído por mim em WordPress/Ascend numa formação no Cenjor neste ano de 2018 em que faço 60 anos. Dosis é a fonte tipográfica. Paulo Rodrigues foi o professor, a quem agradeço e que recomendo.
Este site está no começo mas vai crescer, vai ter trabalhos novos – espero – e antigos que eu consiga encontrar. Vai ter outras secções, tenha eu unhas para elas.

A Culpa

Ana Paula Tavares

Na minha aldeia, a culpa era casada e tinha filhos. Todos com cara de culpa. A carga devia ser enorme porque caminhava carregada sob o peso de imaginários dedos estendidos na sua direcção e como mãe e culpada encontrava na comida uma forma de sobreviver atrás das panelas a cozinhar sentimentos para os filhos e os outros comerem. Um misto de culpa e ressentimento desenhava na sua cara mapas antigos de difícil leitura, sobrecarregados com os sinais do pecado em amarelo e ocre por entre as rugas.

ler o resto no redeangola.info

Desde sempre, desde que me lembro. Ilustrando textos belíssimos com que me cruzei ao longo da vida. Sorte a minha! São areias movediças que piso com respeito, medo, anseio e imenso prazer. Dizem-me os meus amigos que eu não me levo muito a sério, que até no 'bonecar' há uma redução... mas eu acho que bonecar é bom. É bom, ponto final.

Vale tudo para tornar uma informação mais imediata, compreensível e agradável. Gráficos, texto, números, fotografias, desenhos, ícones, tabelas, mapas… Podia chamar a esta secção 'A minha nova vida a partir do Rede Angola'. Foi no RA que nasci para a infografia. Pedro Figueira foi o meu companheiro programador. São dele as animações.

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Paginar é a minha actividade principal e tem sido o meu ganha-pão. Sobre layouts meus ou de outros. Livros, jornais, revistas, discos, painéis, cartazes, folhetos, etc. Arrumando a informação, juntando as partes, montando o puzzle, bordando ligações e acabamentos, procurando uma coerência gráfica e assim comunicar melhor. Não há lugar para o tédio.

Os cokwe sabem da arca e dos animais,
da caça e das viagens, da loucura e do vinho
e de como é deserta e plana a chama.
Os cokwe continuam a esculpir rostos
muito belos, plantados de escarificações
onde fixam o tempo para ser eterno...

Ana Paula Tavares

Marie Louise Bastin

 

Inéditos, apenas ao sabor das minhas leituras. Aqui as coisas acontecem ao contrário, são textos que li e que me deram vontade de pintar.

“A bela magnólia, que crescera solitária na berma da estrada, via poucas coisas no sítio onde fora plantada. Os montes em seu redor estavam cheios de árvores, urzes e musgos. Andavam por ali a lebre e o lobo, as abelhas e as formigas. Uns pássaros que voam muito alto e outros que trinam como se fossem tenores de ópera. Mas não havia nenhuma casa a manchar a paisagem de branco e vermelho. Sabia que, depois do Sol dar a ideia de que ia dormir para o outro lado da Terra, aparecia quase sempre a Lua. E, em dias de céu claro, a Ursa Maior, a Cabeleira de Berenice, outras constelações de estrelas.”

Fernando Madaíl

A borboleta viajante e a magnólia curiosa