Mulheres: Uma revolução dentro de casa | Ana Cristina Pereira

Ilustrações para o site Fronteiras XXI.

A minha mãe nasceu em 1944 no seio de uma família formada por um artesão do vime e uma doméstica. A minha mãe nasceu em casa, em São Vicente, do outro lado da grande montanha, num vale profundo da Madeira rural.
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Que podia esperar uma rapariga naquele lugar, naquele tempo? “Casar, ter filhos, cuidar da casa, trabalhar na terra, levar nas ventas quando calhasse”, responde a minha mãe. O marido até podia matar a mulher adúltera apanhada em flagrante que o castigo não ia além de seis meses de desterro da comarca.
As mulheres não eram bem pessoas. Eram semi-pessoas.
A desigualdade estava instituída. Por lei, o homem era “o chefe de família”, o provedor, o administrador dos bens do casal. A mulher devia-lhe obediência. Cabia-lhe o “governo doméstico”, o que quer dizer que tinha o dever de cuidar da casa e da família.

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